Papa Highirte – Leitura Dramática

TEMPORAL EDITORA, GRUPO TAPA E TEATRO ALIANÇA FRANCESA CONVIDAM PARA LEITURA DRAMÁTICA DE "PAPA HIGHIRTE", de Oduvaldo Vianna Filho

SINOPSE

No dia 24/04, quarta-feira,  a Temporal Editora em parceria com o Grupo TAPA e o Teatro Aliança Francesa farão a leitura dramática de Papa Highirte, texto teatral de Oduvaldo Vianna Filho.

O evento é gratuito e inicia às 19h, com a leitura dramática da peça pelo elenco do Grupo TAPA composto por: Bruno Barchesi, Caetano O’Maihlan, Camila Czerkes, Fúlvio Filho , Isabel Setti, Mauricio Bittencourt, Renato Caldas, Riba Carlovich e Zecarlos Machado.

Após a leitura integral da peça, será realizado um bate-papo com a professora e organizadora da coleção Oduvaldo Vianna Filho, Maria Sílvia Betti.

 

 

Sobre o livro

Juan Maria Guzamón Highirte, conhecido como Papa Highirte, é um ex-ditador que agora está exilado na fictícia república latino-americana de Montalva. Após ser deposto por generais de seu governo, Papa deixa sua terra natal, a também ficcional Alhambra, e passa a viver em um bunker com seus empregados Grissa e Morales, e com sua amante Graziela. Seu cotidiano é entremeado de memórias dos decretos e feitos “para o bem do povo de Alhambra”, até que um novo motorista chega para abalar suas certezas sobre si. O soturno Pablo Mariz, amante de Graziela, é interrogado por Papa e Morales, mas, apesar da desconfiança de ambos a respeito da origem do rapaz, consegue o trabalho. Ao longo da trama descobre-se a verdadeira intenção de Mariz: vingar-se de Highirte pela morte de seu amigo Manito.

Escrita em 1968 – um dos anos mais conturbados politicamente em todo o mundo – a peça foi intitulada em alusão ao ditador haitiano que governou de 1957 a 1971, François Duvalier, conhecido como Papa Doc, e tem três temas centrais: o declínio do populismo caudilhista, a organização das militâncias de luta armada e a influência da política externa estadunidense no continente americano. Personificando cada um desses assuntos em personagens bastante pitorescos, Oduvaldo Vianna Filho escreveu o trabalho teatral mais significativo sobre o esforço da esquerda perante o autoritarismo, a tortura e a repressão daqueles anos.

Liberada para publicação e encenação somente em 1979, no início da chamada redemocratização, Papa Highirte é, na opinião de muitos críticos, um retrato sintético e perfeito do panorama político das repúblicas latino-americanas. Cinquenta anos depois, a pertinência da leitura de Papa Highirte se amplia à medida que o Brasil se depara novamente com o peso do modelo estadunidense, com a concretude do revisionismo histórico acerca do período de governo militar e com a ascensão do autoritarismo na política. Em si, a nitidez e a sensibilidade da percepção de Vianna Filho a respeito das forças que estavam em jogo já permitem que a leitura de Papa seja imprescindível nos dias de hoje.

A edição da Temporal contém Apresentação e Posfácio da professora e pesquisadora Maria Sílvia Betti (org.), fotos e ficha técnica da primeira montagem da peça e sugestões de leitura a respeito da obra de Oduvaldo Vianna Filho.

 

Sobre o autor

Oduvaldo Vianna Filho nasceu no Rio de Janeiro em 1936, filho de um dramaturgo (Oduvaldo Vianna) e de uma radialista (Deocélia Vianna). Ligado à militância política comunista por influência de seus pais, cresceu em contato com quadros históricos do PCB (Partido Comunista Brasileiro). Ao ingressar no movimento estudantil, ainda na adolescência, organizou, juntamente com Gianfrancesco Guarnieri e outros companheiros, o Teatro Paulista do Estudante.  Ao longo de sua carreira Vianna participou de frentes de trabalho fundamentais para a renovação da dramaturgia e do teatro como veículos de reflexões estéticas e políticas: o Teatro de Arena de São Paulo, o Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (CPC), e o grupo Opinião, do Rio de Janeiro.  No CPC seu trabalho teve crucial importância para a criação de um teatro político de rua, de que ele participou como dramaturgo e como ator.

Em 1964, com o golpe e a implantação do regime autoritário, a perseguição política tornou impossível a continuidade do projeto cultural que ali se desenvolvia, e a prioridade artística e política de Vianna, dentro dessa nova e difícil conjuntura, passa a ser a resistência ao golpe, entendida como primeiro passo para a luta contra o autoritarismo.

Em 1968, com o Ato Institucional número 5, é implantada a censura prévia aos meios de comunicação, e acirra-se a repressão a todos os que se ligassem à militância e à arte de esquerda. A necessidade de trabalhar e o desejo de atingir outras faixas de público leva Vianna a estreitar seus laços com a televisão, já que todas as suas peças haviam passado a ser sumariamente proibidas pela censura. Escrevendo inicialmente para o programa de teleteatro de Bibi Ferreira (Bibi – Série Especial), na Tupi do Rio de Janeiro, Vianna (juntamente com seu ex-companheiro do CPC, Armando Costa) passa, em 1973, a  criar, na TV Globo, os roteiros de A Grande Família, programa em que o talento de comediógrafo herdado de seu pai, Oduvaldo Vianna, se fez sentir.

A censura impediu que a grande maioria das peças que Vianna escrevera após o golpe fossem encenadas, mesmo que tivessem sido premiadas pelo concurso de dramaturgia do Serviço Nacional de Teatro, como Papa Highirte (1968) e Rasga coração (1974), seu último trabalho.

SERVIÇO

Leitura Dramática de Papa Highirte
de Oduvaldo Vianna Filho

Após a leitura integral da peça feita pelo Grupo TAPA (dir. Eduardo Tolentino), haverá um bate-papo com a professora e organizadora, Maria Sílvia Betti.

Dia: 24/04/2019
Horário: 19h00
Local: Teatro Aliança Francesa
Evento gratuito. Não é necessário retirar ingresso.

 

INGRESSOS

Evento gratuito. Não é necessário retirar ingresso.
Sujeito a lotação da casa (226 lugares).

Não é permitido comer no teatro.
Não é permitido filmar e fotografar sem autorização prévia.